Assinala-se em 2017 o Ano Internacional do Turismo Sustentável para o Desenvolvimento, tema que tem vindo a merecer a atenção do GRACE desde 2014, ano em que lançámos a Ficha Setorial Desafios e oportunidades da Responsabilidade Social no Turismo.

 

Num momento em que o turismo explodiu em Portugal e constitui um setor incontornável na criação de emprego e de riqueza em Portugal, urge refletir sobre as práticas de modo a garantir que crescemos de forma harmoniosa, sem pôr em causa o património, o ambiente e a coesão social.

 

Para que o turismo seja sustentável, tenha futuro e contribua, de forma efetiva, para o desenvolvimento das comunidades, é fundamental que seja planeado e que obedeça a princípios de equilíbrio, de respeito pela herança cultural, que contribua para a salvaguarda do edificado, para a preservação da história e da nossa especificidade.

 

É igualmente importante que incorpore uma perspetiva pedagógica e de sensibilização para a proteção da nossa paisagem, da flora e fauna, que garanta que os tesouros paisagísticos que hoje temos se mantenham intactos para as gerações vindouras.

 

Acresce a relevância de apostar num turismo que não destrói habitats e territórios, que coexiste com os habitantes locais, que os valoriza e que os envolve na construção de uma resposta única e com impressão digital.

 

Ninguém quer visitar uma cidade ou uma aldeia onde não há lugar para os seus habitantes, onde os mesmos são substituídos por lugares de pernoita transitória e onde as lojas tradicionais dão lugar a cadeias internacionais iguais em todos os lugares.

 

O turismo sustentável guarda as memórias, as tradições, a especificidade que nos faz únicos e que atrai pela originalidade e pela diferença. O turismo sustentável alicerça-se na diversidade, mas também no design universal para que seja acessível.

 

O turismo sustentável é uma escola de cidadania onde o turista aprende a ser solidário, atento ao que encontra e ao que vê, voluntário na mudança e que tenta deixar intocado o espaço por onde passou.

 

O que é importante ter presente é que o turismo não é apenas um filão económico que importa explorar de forma exaustiva, é uma atividade com impacto, que pode ser relevante ou destrutivo e que deve ser desenvolvido em obediência aos princípios do equilíbrio, da autenticidade e da preservação.

 

Paula Guimarães

Presidente do GRACE em representação da fundação Montepio