Pelo segundo ano consecutivo, e no âmbito do programa de estágios Study in Portugal Network, promovido pelo associado FLAD, o GRACE acolheu mais um estudante americano: Alex Wambach, natural de Montana. 

 

 

Eis o balanço destas 8 semanas.

GRACE - Passaste 2 meses no GRACE a acompanhar o trabalho que desenvolvemos diariamente. Que experiências levas daqui? E de Portugal?

Alex Wambach (AW) - É difícil mencionar todas as experiências que ganhei durantes estes dois meses, pois realmente são muitas. Antes de realizar um estágio no GRACE, a minha experiência de trabalho não se encaixava bem com as coisas que aprendi na Universidade. Portanto, ver o GRACE por dentro e participar no trabalho que a equipa técnica desenvolve, abriu os meus olhos para a realidade do mundo profissional e o setor social aqui em Portugal. Mais importante do que isso foi a experiência de fazer parte de uma equipa com pessoas inteligentes e simpáticas que demonstraram, para mim, os princípios de trabalho em equipa eficaz. Ganhei experiências com a cultura e a etiqueta Portuguesa, com a gastronomia, com as paisagens, com as pessoas e muito mais.

 

GRACE - Quando regressares aos EUA, o que poderás aplicar e como?

AW - Antes de trabalhar com o GRACE, colaborei com um grupo de alunos da minha universidade a criar uma organização para apoiar crianças com pais encarcerados. Trabalhámos muito, e alcançámos um certo nível de sucesso, mas no final uma grande parte da população que pretendíamos ajudar ficou fora de nosso alcance. No GRACE, vi várias vezes como um grupo de organizações tem muito mais poder para fazer o bem do que uma organização pequena sem apoio. Quero levar o tipo de modelo GRACE para casa e ver como posso trabalhar com os meus colegas para encontrar empresas que se importam com a questão do encarceramento nos EUA. Com uma rede de apoio, conseguiremos fortalecer a nossa organização e expandir o número de crianças que podemos ajudar.

 

GRACE - Qual foi a coisa mais importante que aprendeste? E o momento mais divertido?

AW - Que pergunta difícil! Algo simples, porém poderoso, que aprendi no GRACE é o poder de sorrir e dizer bom dia. Sou por natureza uma pessoa um pouco mais fechada, e não tinha o hábito de sorrir e cumprimentar os meus colegas todos os dias. O que aprendi no GRACE é que o simples reconhecimento entre pessoas estabelece um ambiente positivo e ajuda todos a sentirem-se importantes. Esta lição é particularmente importante, porque pode ser aplicada a muitos contextos na vida, e se eu saísse do GRACE com nada mais além do hábito de sorrir todos os dias, acho que o estágio ainda teria valido a pena. Todos os dias me diverti no GRACE! Os dias mais memoráveis sempre envolviam um tipo de evento ou reunião. Estes dias eram desafiadores e exigiam muita energia, mas voltava para casa sempre contente.

 

GRACE - Achas que há algo que devíamos melhorar?

AW - Apesar de acreditar que há sempre algo que qualquer ser humano e qualquer organização pode fazer para melhorar, sinto que o GRACE realmente procura ser excelente em tudo o que faz. Sinto que dois meses é pouco tempo para ter um conhecimento suficientemente profundo para poder fazer uma crítica construtiva de valor. No entanto, acho que seria interessante para o GRACE usar um logic model para guiar a auto-avaliação. Em resumo, um logic model é uma ferramenta para classificar todas as atividades de uma organização como inputs, outputs ou outcomes com a intenção de ajudar a organização a ver a conexão (ou não) entre as suas atividades e as suas metas. Caso existem actividades que não encaixam nas metas principais da organização, podem ser modificadas ou postas de parte. Já usei um modelo parecido noutros contextos e ajudou-me muito a perceber como melhorar.

 

GRACE - Quais as principais diferenças que encontraste entre a RSC nos EUA e em Portugal? Que boas práticas/ exemplos inspiradores de lá poderíamos aplicar cá?

AW - Na verdade, antes de trabalhar no GRACE tinha um conhecimento muito básico da RSC, portanto não posso garantir que a minha resposta aqui seja válida. Pelo que sei, a legislação referente a RSC nos EUA é mais relaxada e a taxa de participação em iniciativas da RSC é mais baixa do que na Europa. Também parece que a RSC é algo mais individual que todas as empresas fazem de forma diferente. Acho que isso não é o caso em Portugal, porque o GRACE tem sido presente desde a infância da RSC no país, e logo serviu como elo de comunicação e cooperação entre as empresas envolvidas no desenvolvimento social.

Um exemplo que acho muito interessante é o de uma empresa americana chamada Cadence, que procura envolver os seus colaboradores nas ações de RSC que realiza. Deixa que os colaboradores escolham quais problemas sociais são mais importantes para eles, por exemplo, e realiza intervenções que são significativas para os seus colaboradores. Para mim, este modelo é uma forma de promover responsabilidade social interna e externa ao mesmo tempo.  

 

GRACE - Gostarias de voltar no futuro? E gostarias de participar em alguma iniciativa do GRACE? Qual e porquê?

AW - Sim! Para mim, o trabalho que o GRACE faz é de alta importância, e sinto-me privilegiado por poder participar e aprender. Se tivesse a oportunidade, não hesitaria em voltar a trabalhar com o GRACE novamente. Todas as iniciativas do GRACE são importantes, mas um dia gostaria de participar no GIRO como voluntário. Para mim, ações de voluntariado como o GIRO são vitais para ajudar as pessoas a sentir a alegria de fazer o bem, e gostava de fazer parte desse processo.