Com o apoio da Fundação Vasco Vieira de Almeida e do CEIIA - Centre of Engineering and Product Development, a iniciativa teve como objetivo refletir sobre o papel das Fundações de Empresa na implementação da Agenda 2030.

 

 

As boas-vindas ficaram a cargo de Vasco Vieira de Almeida, sócio fundador da Vieira de Almeida & Associados (VdA), visivelmente satisfeito por verificar o interesse pelo tema. “Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são um desafio de enorme importância. Há uma progressiva consciência das nossas responsabilidades coletivas, quer a nível pessoal quer a nível organizacional e as fundações representam um papel fulcral na criação de uma consciência comum”, revelando que o dia tinha dupla relevância já que a Fundação Vasco Vieira de Almeida completava o seu 3º aniversário.

 

 

Margarida Couto, Presidente do GRACE em representação da VdA, também manifestou grande satisfação por ter casa cheia, realçando a importância do cumprimento da Agenda 2030 das Nações Unidas, uma missão de todos e para todos.

 

 

Seguidamente, a Presidente do Centro Português de Fundações, Maria do Céu Ramos deu nota para a importância da renovada colaboração com o GRACE. Em perspetiva, recordou que, na verdade, as Fundações em Portugal e no mundo trabalham para a implementação dos ODS muito antes de estes existirem, e fazem-no de forma mais afincada desde que a sociedade está mais atenta a certos temas, como a proteção do Planeta por exemplo. Finalizou chamando a atenção de que a concretização dos ODS é uma tarefa da Sociedade, mas também das políticas públicas, pelo que deve haver um claro compromisso público no que à Agenda 2030 diz respeito.

 

 

Numa intervenção dinâmica, Stephanie García Van Gool, Diretora de Medição de Impacto e Desenvolvimento Estratégico da Fundación Microfinanzas BBVA, apresentou a missão e trabalhos desenvolvidos pela Fundação que opera na América Latina e apoia 2 milhões de pessoas carenciadas. Considerando as especificidades do contexto nesse hemisfério, tiveram de adaptar a sua forma de trabalhar, recolhendo informação e dados sobre os seus clientes, pois só assim poderão “criar” impacto. Focados em 5 ou 6 ODS, medem a “evolução” do impacto em cada um, reforçando que o modelo e metodologia têm de ser criados e adaptados para corresponder aos objetivos primordiais estabelecidos.

 

 

O primeiro painel, moderado pela VdA, focou o tema da “Gestão corporativa e gestão fundacional na implementação dos ODS”. Ficou claro que a empresa e a fundação de empresa devem estar alinhadas estrategicamente na implementação dos ODS e que a parceria estabelecida entre si deve ser bem estruturada de forma a potenciar o impacto social e legitimar a atuação da fundação. Importante também é a definição do tipo de alinhamento pois será esse que permitirá posteriormente aferir o foco do impacto na comunidade.

Para Célia Inácio, Presidente do Conselho de Administração da Fundação Ageas, não pode haver desalinhamento, há sim uma forma mais próxima e emocional porque a Fundação Ageas por exemplo foi criada com o propósito de desenvolver o voluntariado corporativo – um instrumento de RH que, ao virar-se para temas externos, iria beneficiar “temas internos”. 17 anos depois e com uma enorme rede de parcerias com economia social, os principais focos são programas com impacto social e implementação dos ODS.

Eugénio Leite, fundador da Fundação Eugénio Leite, esclareceu que esta teve origem para estruturar e ser um veículo para um conjunto de atividades que as Clínicas Leite já levavam a cabo. O foco recai sobre 6 ODS e os objetivos principais são despertar consciências e mudar comportamentos e trajetos. Deixou a importante nota de que individualmente não temos capacidade de intervenção, só em rede poderemos ter impacto e fazer a diferença.

Sophie Faujour, Head of EVPA France and European Corporate Initiative, realçou a importância do alinhamento estratégico e partilhou um triste facto: mais de metade das empresas a nível mundial não mede os seus impactos no ODS algo que terá forçosamente de mudar rapidamente.

No entanto, as Fundações são o veículo ideal para fazer a diferença, já que assumem riscos e são mais ousadas na criação de impacto social. Deixou por fim o convite para a conferência da EVPA a realizar no Porto em setembro de 2020, em parceria com o GRACE.

 

 

O segundo painel, dedicado a “A Inovação e a Tecnologia ao serviço dos ODS”, moderado por Alexandre Pinho, Global Lead for the United Nations da Microsoft, juntou Gualter Crisóstomo, Diretor de Sustentabilidade Organizacional do CEiiA, Joana Balsemão, Vereadora da Câmara Municipal de Cascais e Tiago Silva Pereira, CEO da WYZE Mobility. Perante uma realidade em que ação não tem acompanhado a consciência e os indicadores atuais estão aquém do desejado, ficou clara a importância da inovação e da tecnologia no impacto sistémico nos ODS.

 

Para o CEiiA, os ODS fazem parte da estratégia e todo o desenvolvimento de produtos e serviços é feita em parceria. A verdade é que, nunca houve um framework tao bem construído e tao consensual como os ODS, é uma linguagem universal e não há ninguém que não a queira falar. Para a vereadora da Câmara Municipal de Cascais, os ODS constituem a oportunidade de criar ordem sem políticas públicas de forma desgarrada. Criam também sentimento de pertença dentro da organização e desta com o mundo. Para a Wize Mobility, startup portuguesa com serviços de mobilidade partilhada, os ODS estão sem sombra de dúvidas na génese da criação do negócio, já que nas cidades estão concentrados grande parte dos problemas, mas também são centros de cooperação, inovação e excelentes ideias.

 

 

No encerramento, a cargo de Luís Amado, Diretor Executivo da B Lab Portugal, a frase de ordem foi “Fundações ao poder!”, já que são estas as detentoras de capacidade de arriscar, mudar e ter impacto no mundo. “Enquanto cidadãos, não devemos esquecer a nossa parte. As empresas também têm esse poder. Usem-no!”