E conta a história de uma refugiada síria, Doaaa al-Zamel, "que chegou num barco de refugiados com 500 pessoas, 100 das quais crianças", contou Melissa Fleming, autora da publicação lançada ontem na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, e que contou também com a presença de Pedro Calado, Alto-Comissário para as Migrações e Rui Marques da Plataforma de Apoio aos Refugiados

Melissa trabalha no ACNUR há 8 anos, 7 dos quais sob a liderança de António Guterres e realçou ontem a importância de encontrar soluções para as populações migrantes.

Para Melissa é fundamental trabalhar na estabilização nomeadamente da Líbia e não "empurrar" os refugiados de volta para este país. "Ninguém subiria a bordo dos barcos de refugiados se pudesse ter segurança e prosperidade na sua terra de origem."

 

Considerando a difícil resolução dos atuais conflitos, assistimos ao número recorde de 65 milhões de pessoas em migração, desenraizadas das suas casas, fluxo que tenderá a aumentar nos próximos tempos. De acordo com a Organização Mundial de Migrações, no primeiro trimestre deste ano chegaram à Europa por via marítima mas de 27 mil migrantes, e mais de mil perderam a vida no caminho.

 

 

Sinopse

Uma Esperança Mais Forte do que o Mar é uma chamada de atenção para a situação dramática por que passam largos milhares de refugiados sírios que procuram abrigo na Europa, tentando escapar a uma guerra que destruiu o seu país. Esta é a história extraordinária de uma jovem corajosa e da sua luta pela sobrevivência.

A narrativa começa nos primeiros dias da sublevação síria contra o governo de Al Assad, no “berço da revolução”, a cidade de Daara. Com o agigantar da repressão e da violência, a família Al Zamel perde todos os seus meios de subsistência e decide viajar para o Egito. Ali, após uma temporada de relativa tranquilidade, a comunidade em que se integram começa a ser perseguida, o que motiva uma drástica decisão: Doaa quer enfrentar o Mediterrâneo para tentar viver uma nova vida na Europa, longe da guerra.
Esta fuga faz-se em barcos sem quaisquer condições, iludindo as autoridades. Após quatro dias a navegar, o seu barco é criminosamente abalroado e praticamente todos os ocupantes – 500 pessoas comprimidas num espaço exíguo – morrem.
Durante quatro dias e quatro noites, Dooa ficou à deriva numa pequena boia, protegendo duas crianças, depois de ter visto morrer quase todos os seus companheiros de travessia. No entanto, a sua esperança e a sua fé eram maiores e mais fortes do que todo o mar. Este é um livro fundamental sobre esta crise humanitária e o testemunho de Doaa Al Zamel dá rosto à tragédia pela qual passam milhares de pessoas em busca de paz e de uma vida melhor.