Portugal é mar!

Este "claim" tem sido apregoado pelos 7 mares, gritado aos quatro ventos, pelos mais recônditos cantos do mundo, sobre o potencial marítimo que Portugal tem. Acredito que Portugal apenas tem dois desígnios nacionais, Mar e Turismo. Mas haverá turismo sustentável sem mar? Poderemos olhar para um sem falar do outro?

 

Num país Atlântico, que terá 40 vezes mais território em mar do que em terra, que com a aprovação da extensão da plataforma continental ficará o  décimo primeiro País do Mundo em termos de território... poderá este mesmo País ter turismo como o conhecemos hoje sem um mar também ele sustentável?

Os dados que hoje conhecemos relativamente à saúde dos nossos mares e oceanos são  alarmantes... tão alarmantes que a todos deveria preocupar... alarmantes ao ponto de exigir políticas governamentais e empresariais à escala global, porque se nada mudar e ainda no nosso tempo, já em 2050, os oceanos terão tanto plástico como peixe!

A verdade é que 2050 parece longe demais, a verdade é que ainda não está no nosso radar!

De quando em vez ouvimos falar das ilhas de plástico, mas são longe... de quando em vez uma baleia dá à costa com 17 quilos de plástico no seu estômago, mas aos nossos olhos foi só uma... de quando em vez outra baleia dá à costa com 30 sacos de plástico no seu estômago, mas foi azar seguramente...

A verdade é que de quando em vez, somos confrontados com uma realidade que não quereremos ver, mas todos nós, indivíduos, empresas, organizações não governamentais e governos, temos de acordar para uma catástrofe anunciada, com hora marcada, que todos os dias nos vai dando sinais, mas que ninguém está a querer ver.

Como pode um país que desde sempre aposta no turismo de sol e mar não ter uma política orientada para o combate ao plástico e em prol da sustentabilidade do mar?

Como pode um País que recentemente fez uma aposta internacional no surf e em Portugal como "o" destino de surf, não estar a controlar os rios, o maior veículo de poluição do mar ?

Como pode um País que também aposta no turismo gastronómico e no melhor peixe do mundo, não pensar que os plásticos no oceano se transformam em micro-plásticos e que estes são ingeridos por aqueles que tanto gostamos de ter no prato?

Se Portugal é mar e se não há turismo em Portugal como o conhecemos hoje, sem mar como podemos não agir?

Na realidade todos somos responsáveis pela degradação dos oceanos, todos somos poluidores, todos somos utilizadores...

Não cabe apenas aos governos tomarem acções, cabe também às empresas, que fazem mais de 80% do seu transporte por mar, contribuir para a resolução...cabe às empresas dentro da sua responsabilidade social fazerem parte da solução.

A Sailors for the Sea Portugal aposta na sensibilização ambiental através dos mais jovens e através da certificação de eventos realizados no mar, tentando desta forma alertar para um problema global que muitos fazem "olhos moucos".

Nas nossas aulas KELP (kids environmental lessons plans) as crianças são alertadas  para  os mais diversos problemas dos oceanos, através de jogos e diversões, porque acreditamos que é nesta geração que serão os líderes de amanhã que está a solução.

É urgente uma política nacional de literacia dos Oceanos, de acesso a todos sem excepção, por forma a que os mais novos sensibilizem os mais velhos e que desta forma possa haver uma acção nacional, que force governos e empresas e indivíduos a tomar medidas.

A catástrofe tem hora marcada, mas cabe-nos a nós, forçar o relógio a andar para trás, cabe-nos a nós salvar a imensidão de  azul, cabe-nos a nós ser a mudança.

 

Bernardo Corrêa de Barros

Presidente Sailors for the Sea Portugal