“Descarbonizar a Economia, Financiar as Empresas”

“Descarbonizar a Economia, Financiar as Empresas”

“A Descarbonização da Economia só acontece se houver um imenso esforço conjunto de todo o setor financeiro na adoção de políticas e ações que mobilizem as empresas para a mudança do paradigma”, foi com estas palavras que Paulo Moita de Macedo, Presidente da Comissão Executiva da Caixa Geral de Depósitos, deu início ao encontro “Descarbonizar a Economia, Financiar as Empresas”, organizado pelo Cluster Financeiro do GRACE – Empresas Responsáveis, a 19 de outubro, na Culturgest, em Lisboa.

Na sua intervenção, Margarida Couto, Presidente do GRACE – Empresas Responsáveis, começou por salientar a importância desta sessão, evidente no número de inscritos no evento, mas também por trazer o tema da descarbonização da economia para a perspetiva das empresas. “A mensagem que queremos que passe é que financiar as empresas e descarbonizar a economia são a mesma coisa. A ideia é que, cada vez mais, só haja fundos disponíveis para as empresas que estiverem disponíveis a colaborar neste esforço de descarbonização da economia”, referiu.

 

“Portugal terá de investir 7,5% do PIB – o que poderá ser uma oportunidade para os bancos”

Enquanto motor da economia, o setor financeiro tem aqui um papel determinante. Por isso, num painel moderado por Assunção Cristas, Of Counsel da VdA, juntámos à conversa João Tomaz, Responsável pela Área Prudencial, de Mercados e Sustentabilidade da APB, Miguel Morgado, Head of EIB Lisbon Office e Eugénio Solla, Diretor Sustentabilidade CaixaBank.
Se por um lado, é importante a banca estar próxima das empresas que precisem de efetuar a transição (acompanhar e aconselhar a traçar o percurso) – uma ideia trazida por Eugénio Solla – por outro lado, existe também uma oportunidade clara para os bancos, já que, como explica João Tomaz, “iremos ter montantes de investimentos nunca antes vistos. Portugal terá de investir 7,5% do PIB– o que poderá ser uma oportunidade para os bancos”.
A ideia deste aumento do investimento cedido pelos bancos foi também salientada na participação de Miguel Morgado, já que o EIB tem, entre os seus objetivos, “passar a percentagem das atividades que contribuem para a ação climática e para a sustentabilidade ambiental para 50% (do total) em 2025”

Como fica a relação das empresas com o setor financeiro?

Mas num evento que se queria voltado sobretudo para as empresas e para a dinâmica que têm, cada vez mais, de assumir, Sofia Santos, Sustainability Champion in Chief at Systemic, na moderação do painel de conversa dedicado ao tecido empresarial, lembrou a importância de se perceber como, em conjunto com o setor financeiro, podemos atuar e inverter a tendência de aumento da temperatura do planeta, cuja tendência atual terá impacto negativo no PIB.
Ana Canha, Corporate Finance & Treasury da Navigator, falou da importância de comunicar de forma transparente com stakeholders sobre como investem para o futuro já que “não se espera que as empresas e os negócios que não ajustem os seus modelos estejam cá nas próximas gerações”.

“Não conseguimos salvar o planeta se não tivermos os financiadores e as empresas a trabalharem em conjunto”

Sobre a relação com os investidores, Patrícia Pinto, Investor Relations Director da Sierra Sonae, percebe que os investidores, independentemente do que os move, estão interessados num caminho sustentável e lembrou que “não conseguimos salvar o planeta se não tivermos os financiadores, quer seja a banca quer sejam os investidores, e as empresas a trabalharem em conjunto para isso”. Por sua vez, Ana Fernandes, Head of Investor Relations da Green Volt, diz ainda não sentir “na maior parte dos casos, uma preocupação generalizada do mercado de capitais que não seja empurrada ou pelo beauty contest do green ou porque alguns clientes deles assim o exigem”.

E num país em que as PMEs dominam o ecossistema empresarial, Nuno Gonçalves, Vogal do Conselho Diretivo do IAPMEI, refere o estudo conjunto realizado com a Universidade Católica que veio comprovar que “as empresas ainda não encarteiraram as preocupações ESG nas suas estratégias”, sendo menos de 15% as que já o fazem. Mas este é um paradigma que tem de mudar já que, por exemplo, “um dos critérios de candidatura ao PRR é de que a empresa não vai ter impacto negativo no meio-ambiente”. Além disso, o IAPMEI vai lançar um fundo de capitalização que tem como objetivo não só dar maior robustez financeira às empresas, mas também fazer com que incorporem critérios ESG na sua estratégia.

“As seguradoras estão numa posição privilegiada na promoção de um desenvolvimento económico e social sustentável”

José Galamba de Oliveira, Presidente da Associação Portuguesa de Seguradores, enquanto Key Note Speaker do evento, falou concretamente sobre o papel dos seguros no desenvolvimento sustentável. “Com o seu conhecimento em gestão e transferência de risco, o setor pode ajudar os seus clientes a formar uma consciência de risco, reduzindo a exposição e aumentando a sua resiliência aos impactos das alterações climáticas”, evidenciou. Para o Presidente da APS, as seguradoras estão numa posição privilegiada na promoção de um desenvolvimento económico e social sustentável, tanto devido à experiência e conhecimento acumulado na gestão de riscos como na capacidade em antecipar tendências e correspondentes riscos emergentes.

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