16 março, 2026

Catástrofes e Emergências: da resposta institucional à ação coletiva das empresas

“Catástrofes e Emergências: da resposta institucional à ação coletiva das empresas

Empresas, setor social e autoridades discutem resposta coletiva a catástrofes e emergências

A crescente frequência de fenómenos extremos e o impacto que estes têm nas comunidades exigem respostas cada vez mais coordenadas entre instituições públicas, organizações da sociedade civil e empresas. Este foi o ponto de partida do encontro “Catástrofes e Emergências: da resposta institucional à ação coletiva das empresas”, promovido pelo GRACE – Empresas Responsáveis, que reuniu diferentes entidades para refletir sobre o papel da colaboração na resposta a situações de crise.

O evento decorreu nas instalações da Fundação LIGA, a quem deixamos um agradecimento pela disponibilidade e pelo acolhimento que tornaram possível a realização desta iniciativa.

Na sessão de abertura, Maria João Simões de Almeida, do GRACE, destacou que os efeitos de eventos extremos se fazem sentir de forma cada vez mais visível no território, reforçando a necessidade de mobilização coletiva. Nesse contexto, reforçámos também o papel do GRACE enquanto plataforma de articulação entre organizações, capaz de facilitar a ligação entre empresas e entidades no terreno quando surgem necessidades urgentes nas comunidades.

Cultura de prevenção e resposta organizada

Um dos temas centrais do encontro foi a importância da preparação e da cultura de prevenção. Pedro Carvalho, da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), explicou que o sistema de proteção civil em Portugal assenta numa lógica de resposta progressiva, que começa ao nível local e pode escalar para estruturas regionais ou nacionais quando a dimensão da emergência o exige.

Segundo o responsável, a resposta a emergências começa no próprio cidadão, através da promoção de uma cultura de segurança e de resiliência individual. “A preparação deve ser trabalhada desde cedo, em contextos como as escolas ou os locais de trabalho”, referiu.

Da solidariedade à gestão eficaz dos recursos

A gestão de recursos em contextos de emergência foi outro dos temas abordados. Nélson Antunes, em representação da Estrutura de Missão, apresentou a experiência da estrutura criada após uma situação de emergência que afetou várias zonas da região centro do país, onde a destruição de habitações e empresas foi acompanhada por interrupções no fornecimento de serviços essenciais, como energia e água.

Entre as soluções desenvolvidas esteve a criação de uma plataforma digital de financiamento colaborativo para apoiar projetos de reconstrução apresentados por comunidades locais. A experiência revelou também um desafio frequente em situações de crise: apesar da forte mobilização solidária, muitos dos bens doados não correspondiam às necessidades mais urgentes no terreno, o que reforça a importância de uma gestão centralizada das necessidades.

Empresas e organizações mobilizam recursos

A mesa-redonda, moderada por Mariana Ribeiro Ferreira, Vice-Presidente do GRACE, em representação da CUF, reuniu representantes de organizações sociais e empresas que partilharam diferentes experiências de mobilização em contextos de crise.

Isabel Jonet, da Entrajuda, apresentou a Rede de Emergência Solidária, criada para articular respostas de apoio em situações de emergência. A responsável alertou para a importância de garantir transparência na gestão de fundos e de evitar respostas precipitadas, lembrando que é essencial compreender primeiro quais são as necessidades reais no terreno.

Jody Rato, da Cruz Vermelha Portuguesa, explicou que a atuação da organização varia entre cenários previsíveis — como determinadas tempestades — e situações inesperadas, em que a resposta tem de ser construída progressivamente em articulação com as autoridades de proteção civil.

Do lado empresarial, foram apresentados exemplos de planos de emergência e mecanismos de resposta a crises.

Na Fidelidade, representada por Bruno Militão Ferreira, o plano de emergência inclui a ativação de linhas de apoio a clientes afetados e o envio de equipas de peritos para avaliar os danos no terreno. A área de comunicação assume igualmente um papel central na definição de orientações internas e externas, num setor particularmente exposto do ponto de vista comunicacional, onde uma comunicação clara e coordenada é essencial. Patrícia Chambel, da DHL destacou a existência de equipas especializadas em resposta a desastres, capazes de prestar apoio logístico ou operacional quando solicitadas pelas autoridades, nomeadamente colocando ao dispor das autoridades a sua capacidade de transporte para fazer chegar a ajuda necessária às zonas afetadas. Também Sofia Miranda do Grupo Casais e Rita Dinis, da MC Sonae apresentaram exemplos de planos internos de gestão de crises, que envolvem diferentes áreas das organizações e procuram garantir uma resposta estruturada em situações de emergência.

O setor do turismo esteve representado pelo programa HEART – Hospitality Environmental and Responsible Tourism, da Associação da Hotelaria de Portugal, representada por Joana Castro Caldas, que mobiliza hotéis para iniciativas de responsabilidade social e ambiental e que tem sido ativado em diferentes contextos de emergência, desde os incêndios de 2017 até à pandemia. Destacou-se o exemplo do programa “O Turismo Acolhe” em que 125 estabelecimentos de alojamento aderiram e colocaram ao dispor das vítimas das tempestades e dos trabalhadores destacados para a reconstrução mais 1.000 unidades de alojamento – um exemplo claro de como colocar a capacidade instalada ao serviço da emergência.

 Reforçar redes de colaboração

Durante o encontro, partilhámos também exemplos de mobilização recente da nossa rede de associados no apoio a comunidades afetadas por tempestades. Atuámos como facilitadores de colaboração entre empresas e entidades no terreno, como a proteção civil e a Cruz Vermelha, permitindo identificar necessidades específicas e mobilizar respostas adequadas.

Nesse âmbito, anunciamos a criação da iniciativa Comunidade + Cidadania, que pretende reforçar a partilha de informação, recursos e boas práticas entre as empresas associadas, promovendo uma comunicação mais ágil e novas oportunidades de colaboração.

No encerramento da sessão, foi reforçada a ideia de que a preparação e a articulação entre diferentes setores são fatores decisivos para melhorar a capacidade de resposta a situações de crise. Num contexto de riscos cada vez mais complexos, acreditamos que a colaboração entre autoridades, empresas e organizações sociais será cada vez mais determinante para garantir respostas mais rápidas, eficazes e alinhadas com as necessidades das comunidades.

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