14 julho, 2026

Comunidade GRACE+ Cidadania: Pontes para o Impacto

GRACE Cidadania Responsável

Comunidade GRACE+ Cidadania: um espaço para transformar boas intenções em impacto estratégico

No passado dia 2 de julho, realizou-se no Chapitô, em Lisboa, o primeiro encontro presencial da Comunidade GRACE+ Cidadania, uma iniciativa lançada pelo GRACE em março de 2026 para responder a uma necessidade identificada junto dos Associados: criar um espaço de confiança para a partilha de experiências, desafios, dúvidas e boas práticas sobre cidadania responsável, voluntariado e impacto social.

A Comunidade GRACE+ Cidadania nasceu como uma comunidade digital, através de um grupo exclusivo no WhatsApp, onde os membros podem trocar ideias e aprender entre pares ao longo do ano. Complementando esta dinâmica, estão previstos dois encontros presenciais anuais, desenhados para promover conversas abertas, networking relevante e aprendizagem colaborativa.

Uma das características distintivas desta comunidade é o facto de os próprios membros escolherem os temas dos encontros, através de votação, garantindo que as discussões respondem a desafios reais vividos pelas empresas. Além disso, cada encontro decorre nas instalações de uma organização da economia social, criando uma oportunidade para conhecer o seu trabalho e explorar potenciais formas de colaboração.

A primeira ponte para o impacto

O encontro inaugural do formato “Pontes para o Impacto”, reuniu representantes de 12 empresas Associadas em torno do tema:

“Responsabilidade Social Corporativa Pontual vs Estratégica: Como Alinhar com o Negócio?”

Depois da apresentação do Chapitô e das suas oportunidades de envolvimento empresarial, o grupo contou com a participação de Filipa Pimentel, Diretora de Desenvolvimento Sustentável e Impacto Local do Pingo Doce, que partilhou a jornada da organização na integração da responsabilidade social na estratégia de negócio.

Seguiu-se um momento de conversas facilitadas, dinamizadas por Marta Bastos dos Santos, Membro da direção do GRACE em representação da EDP, onde os participantes trocaram experiências, identificaram desafios comuns e refletiram sobre o caminho que as empresas estão a percorrer para evoluir de uma abordagem mais reativa para uma intervenção social verdadeiramente estratégica.

As principais reflexões da conversa

Ao longo da sessão emergiram várias mensagens relevantes que podem ajudar quem se dedica a estas temáticas.

1. Partir das competências da empresa

Uma das ideias mais marcantes foi a necessidade de mudar a pergunta que muitas empresas fazem quando procuram contribuir para a comunidade.

Em vez de perguntar “Do que é que precisam?”, o desafio é começar por perguntar:

“O que é que nós temos de único que pode ser útil?”

Esta mudança de perspetiva permite às empresas colocarem ao serviço da comunidade aquilo que sabem fazer melhor, aumentando a relevância, a eficácia e a sustentabilidade das suas intervenções.

2. O foco é uma condição para gerar impacto

Falou-se muito também sobre a importância de definir prioridades claras.

Ter uma estratégia e áreas de atuação bem definidas permite às empresas manterem o foco, avaliar melhor os resultados alcançados e, quando necessário, dizer “não” a iniciativas que não se enquadram na sua missão ou objetivos estratégicos.

Ao mesmo tempo, foi reconhecido que deve existir flexibilidade para responder a situações de emergência ou necessidades imprevistas, reservando recursos para apoiar causas urgentes quando tal se justifique, ou encaminhar para o GRACE e outros parceiros que possam ajudar a encontrar uma solução.

3. Mobilizar pessoas continua a ser um desafio

Entre os desafios mais partilhados pelos participantes destacaram-se:

  • A dificuldade em recrutar e envolver novos voluntários ou embaixadores internos;

  • A necessidade de manter as equipas mobilizadas ao longo do tempo;

  • O desafio de comunicar de forma eficaz o trabalho desenvolvido e o impacto gerado.

A mobilização interna continua a ser um fator crítico para o sucesso das estratégias de cidadania corporativa e uma das áreas onde muitas organizações procuram novas abordagens.

4. Impacto social e objetivos de negócio devem caminhar juntos

Uma das reflexões mais relevantes trazida por Filipa Pimentel foi a necessidade de se analisar cada iniciativa através de uma dupla lente:

  • Que problema ou necessidade social estamos a ajudar a resolver?

  • Que objetivo estratégico ou valor estamos a criar para a organização?

Longe de serem objetivos incompatíveis, a criação simultânea de valor social e valor para o negócio é precisamente aquilo que distingue uma abordagem estratégica de uma intervenção pontual.

5. Medir para ganhar relevância

A sessão terminou com uma mensagem clara: a responsabilidade social deve ser gerida com o mesmo rigor aplicado às restantes áreas da organização.

Definir objetivos, acompanhar indicadores, medir resultados e comunicar impacto são práticas essenciais para demonstrar valor, justificar investimentos e garantir que os temas da cidadania e da sustentabilidade chegam às mesas de decisão das empresas.

Como foi referido durante a conversa, só através de dados, evidência e resultados será possível reforçar equipas, consolidar estruturas e aumentar os recursos dedicados a estas áreas.

Junte-se à conversa

O primeiro encontro da Comunidade GRACE+ Cidadania confirmou aquilo que motivou a sua criação: existe uma enorme vontade de aprender com os pares, partilhar experiências reais e construir respostas coletivas para desafios comuns.

Se também acredita que a cidadania corporativa ganha força quando é pensada de forma colaborativa, esta comunidade é para si.

A conversa já começou!
E gostaríamos de contar consigo no próximo encontro.

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