12 maio, 2026

Revisão dos ESRS: o que muda no reporte ESG das empresas

GRACE ER Insights

Sustentabilidade em revisão: simplificação ou perda de ambição?

A Comissão Europeia abriu recentemente um período de consulta pública sobre a revisão dos European Sustainability Reporting Standards (ESRS) e sobre uma nova norma voluntária de reporte para empresas de menor dimensão.

Esta revisão surge no contexto do pacote “Omnibus”, que procura simplificar obrigações de reporte ESG, reduzir encargos administrativos e reforçar a competitividade das empresas europeias. Entre as alterações propostas estão a redução do número de datapoints obrigatórios, maior flexibilidade nos requisitos de reporte e limites mais claros aos pedidos de informação ao longo da cadeia de valor.

Mas esta discussão levanta uma questão essencial:

Estamos a simplificar o reporte… ou a simplificar a ambição?

Nos últimos anos, muitas empresas investiram tempo, recursos e capacidade interna para estruturar processos de reporte, realizar análises de dupla materialidade, envolver cadeias de valor e integrar a sustentabilidade na gestão estratégica. Ao mesmo tempo, investidores, clientes e outros stakeholders passaram a exigir dados mais comparáveis, transparentes e consistentes.

É verdade que o atual quadro regulatório trouxe desafios significativos — especialmente para PME e empresas em fases menos maduras da jornada ESG. No entanto, também acelerou algo importante: a capacidade de as organizações conhecerem melhor os seus impactos, riscos e oportunidades.

A revisão agora em consulta pública representa, por isso, um momento crítico para o futuro do reporte de sustentabilidade na Europa.

O que está em causa?

A Comissão Europeia defende que as alterações permitirão reduzir complexidade sem comprometer os objetivos da transparência e da sustentabilidade.

Ainda assim, vários especialistas e stakeholders alertam para riscos associados a uma excessiva flexibilização das regras, nomeadamente:

  • menor comparabilidade da informação;

  • perda de qualidade e consistência dos dados ESG;

  • aumento do risco de greenwashing;

  • criação de incerteza regulatória;

  • desmotivação das empresas que já investiram seriamente na transformação sustentável.

Mais do que uma discussão técnica, este debate influencia diretamente a forma como a sustentabilidade será integrada nas decisões de negócio nos próximos anos.

 Algumas boas práticas que continuam a fazer sentido — independentemente da revisão.

Boas Práticas que continuam a fazer sentido

 E agora?

A consulta pública da Comissão Europeia está aberta até 3 de junho de 2026 e permite que empresas, associações, profissionais e cidadãos contribuam para o futuro dos standards europeus de sustentabilidade.

Num momento em que tanto se fala de simplificação, talvez a pergunta mais importante seja outra:

Que tipo de sustentabilidade queremos tornar mais simples?

Uma sustentabilidade reduzida ao mínimo regulatório?
Ou uma sustentabilidade capaz de reforçar competitividade, confiança, transparência e resiliência empresarial?

O GRACE desafia os seus Associados a acompanharem esta discussão e a partilharem a sua perspectiva através da plataforma “Have Your Say” da Comissão Europeia.

Porque o futuro do ESG na Europa não se decide apenas em Bruxelas.
Decide-se também pela voz das empresas que estão no terreno. Responsible business. It’s your business!

Consulta pública da Comissão Europeia:
Have Your Say – Revised ESRS

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