Ucrânia | Ajuda Responsável: Como podem as empresas contribuir?

Ucrânia | Ajuda Responsável: Como podem as empresas contribuir?

Com o objetivo de agilizar um processo colaborativo eficaz e eficiente que supra as reais necessidades da população ucraniana, o GRACE promoveu a Conferência “Ucrânia | Ajuda Responsável: Como podem as empresas contribuir?”, com organizações de renome a operar no terreno.

 

Mariana Ribeiro Ferreira deu as boas-vindas, agradecendo a presença de todos, sinal claro do interesse das empresas no tema. Realçou que, atualmente são mais de 11 milhões de deslocados, alguns milhares dos quais a chegarem a Portugal, e a ajuda humanitária é urgente.

 

A mobilização, nos primeiros momentos, foi grande, mas é necessário dar tempo às entidades que estão na linha da frente para se organizarem e delinearem estratégias de atuação. Esta Conferência surge para dar voz às organizações credíveis e competentes que conhecem as reais necessidades de apoio à população no território, bem como em Portugal, na preparação e apoio ao acolhimento de refugiados.

 

“É fundamental que a atuação das empresas ocorra de forma organizada e em linha com as reais necessidades e em estreita colaboração com organizações credíveis, até porque estas necessidades vão manter-se durante os próximos tempos, mesmo quando o tema não for de abertura de telejornais.”, salientou a Vice-Presidente do GRACE.

 

Seguidamente, Fernanda Freitas, Diretora Geral do Associado Eixo Norte Sul, moderou uma conversa com representantes de 8 entidades, colocando a questão primordial “De que forma podem as empresas colaborar responsavelmente?

 

 

Ana Jorge, Presidente da Cruz Vermelha Portuguesa, esclareceu que estão em permanente articulação com o comité da zona de conflito e de outros países, nomeadamente na Moldávia, com as necessidades identificadas e com a canalização dos donativos recebidos para o apoio internacional. Em Portugal, atuam em dois centros de acolhimento de emergência (Lisboa e Azambuja) e, através do ACM e com as Câmaras Municipais, em outros dois centros de acolhimento transitório.

As empresas devem apoiar através das organizações credíveis e não individualmente, sempre tendo em atenção quem necessita e as necessidades efetivas. É também importante colaborarem através de voluntariado corporativo, articulando com as organizações, ajudando em ações que apresentam falta de recursos humanos.

 

Rita Valadas, Presidente da Cáritas Portuguesa, apelou ao apoio organizado – algo que não se registou, deixando nota de que a situação na Ucrânia é extremamente volátil. Além das duas Cáritas na Ucrânia, e que estão a trabalhar em conjunto, existem mais de 56 centros de emergência no terreno, que apenas recentemente estão a conseguir organizar-se. Na Polónia foi criado um centro logístico, que será a central de distribuição e receção de bens e donativos.

É importante que as empresas não enviem bens que não são necessários nem atuem sem estarem articulados com uma organização que esteja a operar no terreno e tenha identificado as necessidades reais.

 

Dália Sequeira, Corporate Partnerships Manager na UNICEF Portugal, constatou que o que aconteceu na Ucrânia em 2 meses a nível de refugiados e deslocados demorou 4 anos na Síria. A UNICEF está no terreno a trabalhar 24/7 e a resposta é gerida a partir do seu armazém central, considerado a maior unidade de armazenamento e centro de distribuição de artigos humanitários do mundo, e assenta em cinco grandes áreas: Saúde, Nutrição, Água, Saneamento e Higiene, Educação e Proteção infantil.

A forma mais eficaz de as empresas apoiarem é através do apoio financeiro, aquele que responde às reais necessidades. Podem também envolver os seus clientes e desafiar os seus colaboradores, reunindo os apoios em donativo corporativo.

Aquelas que têm presença nas áreas de conflito ou em países vizinhos, podem apoiar logisticamente com a cedência de transporte ou de armazéns. Podem igualmente disponibilizar apoio aos seus colaboradores e famílias bem como fornecedores.

 

Tânia Barbosa, Administradora da AMI e Diretora do Departamento Internacional, chamou a atenção para não esquecermos que a Ucrânia vai continuar a precisar de ajuda durante um longo período de tempo.

Com atuação na Hungria e Moldávia, fazem chegar medicamentos à Ucrânia e fazem o devido acompanhamento e levantamento de necessidades. Houve uma “avalanche de envio de bens” que não eram realmente necessários, pelo que é importante perceber que há organizações especializadas para ajudar e devemos confiar nelas e no seu trabalho.

Relativamente às empresas, há formas inovadoras de se envolverem e envolver os colaboradores e os clientes é fundamental.

 

João José Fernandes, Diretor Executivo da Oikos – Cooperação e Desenvolvimento, recordou que agimos de forma genuína, mas muito pouco organizada.

Foi necessário reforçar o alinhamento com atores locais na ação humanitária, nomeadamente na Moldávia, para perceber as necessidades e poder ajudar eficazmente.

Deixou um apelo às empresas para serem rigorosas, mas flexíveis, devendo estar ligadas às organizações para apoiar com as necessidades identificadas no local.

Em Portugal, está a haver uma resposta muito positiva de acolhimento de ucranianos, mas numa perspetiva de que será algo a curto prazo, o que poderá causar alguma pressão sobre as famílias de acolhimento.

Através do projeto “Eu ajudo a Ucrânia, ajudo quem precisa”, a Oikos disponibiliza cabazes de alimentos frescos comprados a pequenos produtores (têm um custo de 20 euros), que são entregues semanalmente aos refugiados e famílias de acolhimento, e as empresas podem apoiar este projeto através de donativos.

 

André Costa Jorge, Diretor Geral do JRS Portugal e Coordenador da PAR, pediu às as empresas que tenham mais racionalidade na ação.

No apoio à Ucrânia e países fronteiriços, devem primeiramente articular com as organizações e perceber as necessidades concretas, antes de levar a cabo iniciativas que vão ser mais caras e ineficazes.

Relativamente ao “resgate” de pessoas, neste caso específico da Ucrânia, a EU autorizou que o processo de acolhimento fosse feito de forma mais célere, deixando os Estados de fora, o que está a provocar alguma descoordenação e desresponsabilização. É fulcral que as empresas analisem quais as verdadeiras necessidades dos refugiados no médio e longo prazo.

 

Rita Brito e Faro, CFO do SPEAK, explicou que foi lançada uma plataforma para dar resposta mais eficiente e eficaz aos refugiados ucranianos, sendo que a necessidade mais premente é chegar à comunidade ucraniana e estão a trabalhar com organizações sociais e municípios.

A melhor forma de haver uma integração eficaz, passa pela aprendizagem da língua e criação de rede de contactos/ligação com comunidade local.

As empresas têm aqui um papel fundamental na angariação de voluntários para o Speak, através dos seus colaboradores ou podem também disponibilizar espaços para reuniões e sessões com os colaboradores voluntários. As Empresas podem ainda ajudar tornando-se fiadoras dos refugiados, para que estes possam conseguir ter uma casa.

 

Luísa Paula Bastos, Diretora de Serviços de Orientação e Colocação, Departamento de Emprego/IEFP, revela que o IEFP foi chamado a agir logo no início, em ligação com as câmaras municipais.

Apesar de as ofertas de emprego serem ajustáveis, há refugiados que ainda não dispõem de capacidade imediata para integrar o mercado de trabalho ou não têm as competências necessárias. Os pedidos de proteção têm sido maioritariamente de mulheres e crianças e estão com cerca de 5 mil inscrições/dia no IEFP.

O primeiro encaminhamento é para escolas de línguas, para que possam aprender a falar inglês e/ou português. Cerca de 18% dos refugiados inscritos já estão em aulas, porém estão com alguma dificuldade em encontrar professores e tradutores.

É importante que as empresas façam chegar as suas necessidades ao IEFP. Devem também mostrar-se recetivas a adaptar o perfil do trabalho oferecido, bem como entender que será necessário um acompanhamento e apoio ao refugiado, para que este consiga integrar a empresa e realizar as funções pretendidas. Podem ainda designar um colaborador para que seja tutor do novo colega.

 

Após esta partilha de dicas de atuação, Mariana Ribeiro Ferreira agradeceu a todos os intervenientes e ao anfitrião Mainvision, e finalizou com um resumo das ideias-chave:

  • trabalhar em rede e em parceria, dando voz ao ODS 17
  • confiar nas organizações que sabem e trabalham no terreno
  • participar de forma organizada e eficaz
  • as necessidades vão perdurar no tempo

 

Aceda às campanhas e contactos das entidades a operar no terreno e em Portugal aqui.

Caso não tenha tido oportunidade de participar, assista à Conferência aqui.

 

 

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