No âmbito do programa de estágios “Study in Portugal Network”, promovido pelo associado FLAD, o GRACE acolheu a estudante americana luso-descendente, Mónica Barros.

 

 

Eis o balanço dessas 8 semanas:

 

GRACE: Passaste 8 semanas no GRACE a acompanhar o trabalho que desenvolvemos diariamente. Que experiências levas daqui?

Mónica Barros (MB) - Durante estas 8 semanas, consegui maximizar a minha aprendizagem sobre a RSC em Portugal e desenvolver ferramentas profissionais importantes que implementarei no futuro. Desde o início do meu estágio vivi experiências profissionais únicas com a oportunidade de assistir a eventos do GRACE e estar presente em eventos de Associados e parceiros do GRACE. Tive contacto com valiosas soft skills postas em prática todos os dias pela equipa técnica da GRACE, incluindo relação com stakeholders, relações interpessoais e networking de eventos. Colaborar com os membros da equipa técnica também me ajudou a perceber melhor a importância de estar recetivo a mudanças e desenvolvimentos dos projetos em curso, enquanto se gerem simultaneamente responsabilidades diferentes. A determinação da equipa inspirou-me muito, mas também me deu uma visão em primeira mão do nível de compromisso que este trabalho exige. Creio que é importante todos os estudantes terem a verdadeira noção das expectativas que o setor onde querem entrar exige.

 

GRACE: Quando regressares aos EUA, o que poderás aplicar e como?

MB - No meu programa de pós-graduação, estudo Relações Internacionais com foco em RSC e Sustentabilidade. Estou muito grata pela oportunidade de preencher o gap entre a teoria e a prática por estar envolvida em programas, eventos e iniciativas de RSC e na formação no GRACE. Parcerias transversais sempre foi algo abordado teoricamente, mas tive a oportunidade de as ver na prática e testemunhar o quão bem podem funcionar. Agora, posso aplicar esses conhecimentos no meu trabalho universitário. Neste segundo ano do meu programa de estudos, um dos requisitos é elaborar um projeto de investigação independente. Esta experiência inspirou-me e deu-me uma série de ideias de projetos originais para explorar tendo o GRACE como ponto de referência.

 

GRACE: Qual foi a coisa mais importante que aprendeste?

MB – Estas 8 semanas foram um curso intensivo em que tentei absorver o máximo de informação, experiência e conhecimento possíveis. O tema que mais me impressionou foi a importância de cultivar relacionamentos fortes com os outros setores. Durante o meu primeiro ano, estudei a potencialidade das parcerias intersetoriais mas de forma teórica, porém, enquanto participava do evento Ideias Cruzadas do GRACE, pude comprovar como estas parcerias são eficazes na abordagem de questões atuais importantes.

 

 

GRACE: Achas que há algo que devíamos melhorar?

MB - Disponibilizar, no site do GRACE, os materiais em inglês deve ser uma prioridade. O GRACE tem muitas publicações, ferramentas e recursos valiosos que podem beneficiar entidades de outros países. Isso poderia também desenvolver a presença internacional do GRACE e criar importantes parcerias internacionais.

Ao traduzir, é muito importante ter em consideração palavras que podem não ser traduzidas diretamente.Por exemplo, a palavra "reflection" que é um dos eixos de ação do GRACE não funcionaria bem em inglês. A língua inglesa favorece palavras fortes orientadas para a ação e “reflection” não conseguirá captar todas as atividades relacionadas e contidas nessa categoria.

 

GRACE: Quais as principais diferenças que encontraste entre a “RSC portuguesa” e a “RSC americana”?

MB – Nas aulas, abordámos o facto de a Europa estar, no geral, mais avançada em RSC em relação aos Estados Unidos. Prova disso é a Diretiva Europeia de Divulgação de Informação Não Financeira, que não tem comparativo na realidade americana. Uma RSC eficaz é também reflexo de contextos locais e, portanto, muitos dos temas que estão em cima da mesa em Portugal, como a empregabilidade e o voluntariado corporativo, não ocupam foco central nos EUA. Essas são áreas que tendem a ser abordadas por diferentes instituições da sociedade civil e do governo americano.

Eu acho que tanto em Portugal como nos Estados Unidos, a RSC ainda está na fase de informar o público sobre o que é e quais são seus os benefícios. Tanto num país como noutro, conversei com pessoas não faziam ideia do que é RSC. Quando expliquei muitos responderam: "Claro que sou a favor de empresas que façam isso!". Acho que ainda há uma enorme falta de informação geral sobre o que é (ou não) RSC, que é necessária corrigir para que esta área continue a desenvolver-se.

 

GRACE: E o que levas de Portugal? 

MB - Os meus pais nasceram em Portugal e tive a oportunidade de passar os verões da minha infância numa pequena aldeia no Norte, mas estou muito grata pela oportunidade de “experimentar” Portugal, agora na qualidade de estudante e profissional. Foi muito interessante experienciar as diferenças entre os locais de trabalho portugueses e americanos e ajudou-me a ganhar consciência da forma como me adapto em ambientes multiculturais. O que é realmente importante se quero continuar a trabalhar em questões globais.

Vir a Portugal no âmbito do programa da FLAD também me ajudou a ter contacto com costumes e hábitos culturais diferentes, que nunca tinha visto. Embora o país enfrente seus próprios desafios, foi muito estimulante, para mim e para os outros estagiários da FLAD, sentirmo-nos sempre bem-vindos em Portugal.